Os cinco domínios da Transformação Digital — Fargotech

Os cinco domínios da Transformação Digital: clientes, competição, dados, inovação e valor.

Você talvez se lembre da Enciclopédia Barsa. Idealizada em 1959 por Dorita Barrett, detentora da Enciclopédia Brittanica, ela foi a primeira enciclopédia brasileira e uma fonte de referência definitiva, em português, para diversos estudantes no Brasil (inclusive para mim) antes do aparecimento da internet.

Contudo, quando, depois de décadas, foi anunciada a impressão da sua última edição, a mensagem era clara: mais uma empresa tradicional, nascida antes da chegada da internet, tinha sofrido ruptura – levada de roldão pela lógica esmagadora da revolução digital. Mas essa não era bem a verdade.

A história da Brittanica e este artigo ajudarão você a compreender melhor os conceitos, definir estratégias e, claro, competir no campo do jogo digital.  E, se mesmo assim você continuar com dúvidas, conte com a consultoria da FARGOTECH para te apoiar em seus projetos de TD.

Aprofundaremos um pouco mais sobre como os cinco domínios da Transformação Digital estão desafiando os pressupostos estratégicos. Acompanhe!

O que a história da Brittanica tem a nos ensinar sobre Transformação Digital

Voltando às transformações vivenciadas pela Brittanica, a verdade é que nos vinte anos anteriores, a editora passou por violento processo de transformação. A Wikipédia não foi, de fato, seu primeiro desafiante digital. 

Na aurora da era da computação pessoal, a Brittanica tinha tentado deslocar-se da edição impressa para a edição em CD-ROM, só que, de repente, defrontou-se com a Microsoft, empresa que, embora atuasse em setor de atividade totalmente diferente, impôs-lhe um rival inesperado: a enciclopédia Encarta (em CD-ROM), que passou a ser oferecida de graça nas compras do software Windows como parte estratégica mais ampla de posicionar os computadores pessoais como investimento básico em educação pelas famílias de classe média. 

À medida que o CD-ROM era substituído pela internet, a Brittanica ainda se deparou com a concorrência de uma explosão de alternativas on-line. Assim, a editora concluiu que o comportamento dos clientes estava passando por transformações drásticas, com a adoção de novas tecnologias. 

Você vê alguma semelhança com o que estamos vivendo nos nossos dias atuais, em meio à pandemia e ao fechamento do comércio por algumas cidades brasileiras?

Diante disto, os líderes da Brittanica, em vez de tentar defender o velho modelo de negócios, procuraram entender as necessidades de seus principais clientes. Dessa forma, ela passou a experimentar diversos veículos de entrega, políticas de preços e canais de venda. 

Assim, ela foi capaz não só de deslocar a enciclopédia para um modelo puro de assinatura on-line, mas também de desenvolver novas ofertas de produtos correlatos para atender às necessidades em evolução dos currículos e do aprendizado em sala de aula. 

“Quando extinguimos a edição impressa, as vendas das enciclopédias no papel representavam apenas 1% de nosso negócio”, explicou Jorge Cauz, presidente da Encyclopedia Brittanica. “Somos tão lucrativos agora como sempre fomos.”

Empresas digitais novatas x empresas tradicionais

Não há razão alguma para que empresas digitais novatas superem as empresas tradicionais. As tradicionais, como a Britannica, ainda podem ditar as regras. O problema é que, em muitos casos, a administração simplesmente não tem um guia para enfrentar os desafios competitivos da digitalização. 

Então, vamos começar pelo começo. Conheça os cinco domínios da transformação digital que precisam ser abordados nos projetos – clientes, competição, dados, inovação e valor – e dê o pontapé inicial.  

Os cinco domínios da Transformação Digital

Conheça, a seguir, os cinco domínios da Transformação Digital e descubra como eles podem — e devem — ser repensados pelas empresas em suas estratégias.

CLIENTES

O primeiro domínio da transformação digital é o dos clientes. Pela teoria convencional, eles eram considerados um agregado de atores, ao qual se dirigiam o marketing e a propaganda. 

O modelo predominante do mercado de massa focava em conquistar economias de escala — faça um produto que sirva a tantos clientes quanto possível — e da comunicação de massa — use mídias e mensagens abrangentes que atinjam e convençam tantos clientes quanto possível, ao mesmo tempo.

Na era digital, estamos avançando para um mundo mais pautado não pelos mercados de massa, mas pelas redes de clientes. Como resultado, nesse novo paradigma, os clientes se conectam e interagem dinamicamente, por meios e modos que estão mudando suas relações entre si e com as empresas. 

O uso de ferramentas digitais está mudando a maneira como eles descobrem, avaliam, compram e usam os produtos. E também como compartilham, interagem e mantêm-se conectados com as marcas.

COMPETIÇÃO

O segundo domínio da transformação digital é a competição

Tradicionalmente, competição (ou concorrência) e cooperação eram vistas como opostos: as empresas competiam com empresas rivais semelhantes e cooperavam com  parceiros da cadeia de fornecimento que distribuíam seus bens ou forneciam os inputs necessários para a sua produção.

Hoje, estamos caminhando para um mundo de fronteiras setoriais fluidas, em que nossos maiores desafiadores podem ser concorrentes assimétricos – empresas estranhas ao setor, nada parecidas com a nossa, mas que oferecem aos nossos clientes valores competitivos.

DADOS

O terceiro domínio da transformação digital são os dados, mais precisamente como as empresas produzem, gerenciam e usam a informação. 

Até algum tempo atrás, os dados eram produtos de ações deliberadas às pesquisas de clientes e de inventários físicos, que eram parte dos próprios processos de negócios — fabricação, operações, vendas, marketing. 

Os dados resultantes eram usados principalmente para previsões, avaliações e tomada de decisões.

Em contraste, hoje, nos deparamos com um dilúvio de dados, sendo que a maioria que inunda as empresas não são gerados por qualquer planejamento sistemático.

INOVAÇÃO

O quarto domínio da transformação digital é a inovação: o processo pelo qual novas ideias são desenvolvidas, testadas e lançadas no mercado. 

Tradicionalmente, a inovação era gerenciada com foco exclusivo no produto acabado. Entretanto, como os testes de mercado eram difíceis e caros, a maioria das decisões sobre inovações baseavam-se na intuição dos gestores. Como o custo do fracasso era alto, evitá-lo era fundamental.

As startups de hoje demonstram que as tecnologias digitais possibilitam que se encare a inovação de maneira muito diferente, com base no aprendizado contínuo e por experimentação rápida. 

Dessa forma, à medida que facilitam e aceleram mais do que nunca o teste de ideias, é possível receber feedback do mercado desde o início do processo de inovação, mantendo-o constante até o lançamento, e mesmo após ele.

VALOR

O último domínio da transformação digital é o valor que o negócio entrega aos clientes — a proposta de valor. 

Tradicionalmente, a proposta de valor da empresa era considerada duradoura ou quase constante. 

Os produtos podiam ser atualizados, as campanhas de marketing revigoradas e as operações podiam ser melhoradas, mas supunha-se que o valor básico oferecido pelo negócio aos clientes era constante, definido pelo setor de atividade. 

Na era digital, confiar em proposta de valor imutável é semear desafios e colher rupturas infligidas pelos novos concorrentes, com proposta de valor mais atraentes. Em resumo, a única prevenção segura em um contexto de negócios em mutação é escolher o caminho da evolução constante, considerando todas as tecnologias como maneira de estender e melhorar a nossa proposta de valor aos clientes.

A partir desse artigo, trabalharemos detalhadamente as tecnologias e ferramentas que podem ser utilizadas em cada um dos domínios apresentados. Assine nossa newsletter e fique de olho nos nossos próximos conteúdos. Até a próxima! 

Comments are closed.